Fístula anastomótica no câncer de reto: o que é, por que acontece e como a cirurgia moderna está reduzindo esse risco

Fístula anastomótica no câncer de reto: o que é, por que acontece e como a cirurgia moderna está reduzindo esse risco

Quando alguém passa por uma cirurgia para retirada do câncer de reto, um dos objetivos do cirurgião — além de remover o tumor com segurança — é reconstruir o trânsito intestinal. Na maioria dos casos, isso envolve criar uma união entre dois segmentos do intestino, chamada de anastomose.

Essa etapa é tecnicamente exigente. E uma das complicações mais temidas depois dela é a fístula anastomótica.

O que é a fístula anastomótica

Fístula anastomótica — também chamada de deiscência de anastomose ou vazamento — é quando a união entre os dois segmentos do intestino não cicatriza adequadamente, permitindo que o conteúdo intestinal escape para dentro do abdome ou da pelve.

As consequências variam. Em casos leves, a fístula pode ser tratada de forma conservadora ou com drenagem. Em casos graves, pode exigir uma nova cirurgia, prolongar significativamente o tempo de internação e, em situações extremas, colocar a vida em risco.

Além do impacto imediato, estudos mostram que complicações pós-operatórias como a fístula estão associadas a piores resultados oncológicos a longo prazo — ou seja, elas não afetam apenas a recuperação, mas podem comprometer as chances de controle do câncer.

Por que o câncer de reto é especialmente desafiador

A localização do reto — profundo na pelve, próximo à bexiga, aos nervos e, nas mulheres, ao útero — torna as cirurgias de reconstrução nessa região tecnicamente mais complexas do que em outros segmentos do intestino.

Na técnica convencional, chamada de anastomose com duplo grampeamento (DS), o reto é cortado com um grampeador linear aplicado “às cegas” dentro da pelve. Em pelves estreitas ou tumores muito baixos, o instrumento frequentemente não fica em posição ideal, e múltiplos disparos do grampeador são necessários para completar o corte.

Cada disparo adicional aumenta o risco de falha na anastomose. Dados publicados pelo Dr. Tiago Bezerra e sua equipe mostram que cada grampeamento extra eleva em 62% o risco de fístula — e o uso de três ou mais grampeamentos multiplica esse risco por quase cinco vezes.

O que a cirurgia moderna faz para reduzir esse risco

Uma dessas técnicas é a anastomose intracorpórea robótica com grampeamento único (RISS), desenvolvida e padronizada pelo Dr. Tiago Bezerra e sua equipe. Em vez de aplicar um grampeador linear de forma cega, o cirurgião utiliza a plataforma robótica para realizar o corte do reto com visualização direta dentro da pelve, e a anastomose é construída com um único grampeador circular.

Os resultados publicados na revista Annals of Surgical Oncology (2026) mostram que a taxa de fístula anastomótica em 90 dias foi de 5,6% com a técnica RISS, comparada a 16,7% com a técnica convencional. A necessidade de reoperação foi de 1,4% versus 10,4%.

Para saber se você é candidato a essa abordagem, agende uma avaliação com o Dr. Tiago Bezerra no Centro de Oncologia Superia — R. Apeninos, 429, Aclimação, São Paulo.