Câncer de reto avançado: quando a cirurgia ainda é a melhor aposta
Receber o diagnóstico de câncer de reto avançado — ou pior, de uma recidiva — é uma notícia difícil de processar. Muitas perguntas surgem ao mesmo tempo: “Ainda tem tratamento?” “A cirurgia ainda faz sentido?” “Vale a pena operar de novo?” A resposta, em muitos casos, é sim. E entender quando e por que pode fazer toda a diferença.
O papel central da cirurgia
No tratamento do câncer de reto, a cirurgia continua sendo a principal modalidade terapêutica com potencial curativo. Quimioterapia e radioterapia são ferramentas essenciais — especialmente para preparar o tumor antes da operação ou para complementar o tratamento depois — mas é o bisturi que, em última análise, tem o poder de retirar a doença do corpo.
O que os dados mostram?
Uma pesquisa publicada pelo Dr. Tiago Bezerra e sua equipe acompanhou 104 pacientes submetidos à exenteração pélvica ao longo de mais de uma década. Entre esses pacientes, 57% foram operados por tumores primários avançados e 43% por recidivas. Os resultados mostraram que a cirurgia pode proporcionar sobrevida significativa: a taxa de sobrevida global em 5 anos foi de 43%, com uma sobrevida mediana de 47 meses — quase 4 anos.
A importância de retirar tudo
Um dos achados mais consistentes da literatura oncológica — e confirmado nessa pesquisa — é que o resultado da cirurgia depende muito de conseguir retirar o tumor com margens limpas, sem deixar nenhuma célula tumoral para trás. Os médicos chamam isso de ressecção R0. Quando isso é alcançado, os benefícios em sobrevida são reais e duradouros.
Quando a cirurgia deve ser questionada
Nem todo paciente é candidato ideal à exenteração pélvica. A pesquisa identificou que pacientes em estado geral mais debilitado (classificação ASA 3 ou 4), com doença já metastática ou em contexto paliativo, apresentaram piores resultados tanto em complicações quanto em sobrevida. Nesses casos, a indicação cirúrgica precisa ser discutida com cuidado e honestidade pela equipe médica.
O câncer de reto avançado ou recidivado não é necessariamente uma sentença sem saída. Para pacientes selecionados, com bom estado geral e possibilidade de ressecção completa, a cirurgia — mesmo quando extensa — pode significar anos de vida com qualidade.
Para uma avaliação individualizada, entre em contato com o Centro de Oncologia Superia — R. Apeninos, 429, Aclimação, São Paulo





