Um ano sem Preta Gil: um legado de conscientização sobre o câncer colorretal

Em julho de 2026, o Brasil relembrou um ano da morte de Preta Gil. A cantora deixou uma contribuição marcante para a música e para a cultura brasileira, mas sua trajetória também ajudou a ampliar uma conversa essencial sobre saúde: a prevenção, o diagnóstico e o tratamento do câncer colorretal.

No dia 19 de julho, o Fantástico exibiu uma reportagem especial com imagens inéditas e registros dos bastidores da luta de Preta Gil contra o câncer. A matéria mostrou momentos de vulnerabilidade, afeto, tratamento e coragem vividos pela cantora durante o enfrentamento da doença.

Leia a reportagem “Um ano sem Preta: filme reúne imagens inéditas e revela bastidores da luta contra o câncer”, publicada pelo Fantástico no G1.

Mais do que uma homenagem, a reportagem colocou novamente em evidência uma doença que afeta milhares de brasileiros todos os anos e que ainda é cercada por dúvidas, receios e tabus.

Quando uma personalidade pública compartilha sua experiência com o câncer, ela ajuda outras pessoas a reconhecerem sintomas, procurarem atendimento médico e compreenderem a importância dos exames preventivos.

Qual foi o câncer enfrentado por Preta Gil?

Preta Gil foi diagnosticada com um câncer colorretal, denominação utilizada para os tumores que se iniciam no intestino grosso, formado pelo cólon e pelo reto.

Embora muitas pessoas utilizem apenas a expressão “câncer de intestino”, é importante entender que existem diferentes localizações, características biológicas e estágios da doença. Essas diferenças influenciam a definição do tratamento mais adequado para cada paciente.

O planejamento pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapias sistêmicas e outras estratégias. A escolha depende de fatores como a localização do tumor, sua extensão, a presença ou não de metástases, as características moleculares da doença e as condições clínicas do paciente.

O câncer colorretal está entre os mais frequentes no Brasil

O câncer de cólon e reto está entre os tumores malignos mais comuns na população brasileira. De acordo com as estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer, o Brasil pode registrar aproximadamente 53,8 mil novos casos por ano durante o triênio de 2026 a 2028.

Esses números mostram que não estamos diante de uma doença rara. Praticamente todos conhecem ou conhecerão alguém que enfrentou um tumor colorretal.

Ao mesmo tempo, trata-se de um tipo de câncer para o qual existem estratégias importantes de prevenção e detecção precoce.

Como o câncer colorretal se desenvolve?

Uma parcela significativa dos tumores colorretais se desenvolve a partir de pólipos, que são alterações que surgem na parede interna do intestino.

Nem todo pólipo se transforma em câncer. No entanto, alguns tipos podem apresentar potencial de evolução maligna ao longo dos anos. Quando essas lesões são identificadas e retiradas durante uma colonoscopia, pode ser possível interromper o processo antes que um tumor invasivo se desenvolva.

Por isso, no câncer colorretal, os exames não servem apenas para encontrar uma doença já instalada. Em determinadas situações, eles também permitem remover lesões precursoras e reduzir o risco de aparecimento do câncer.

O câncer colorretal pode não apresentar sintomas no início

Um dos desafios da doença é que ela pode se desenvolver de maneira silenciosa, especialmente nas fases iniciais.

A ausência de dor ou de alterações intestinais não significa necessariamente que não exista uma lesão. É justamente por isso que o rastreamento é recomendado para determinados grupos, mesmo quando a pessoa se sente bem.

Quando presentes, alguns sinais que merecem avaliação médica incluem:

  • sangue nas fezes;
  • mudança persistente no funcionamento do intestino;
  • diarreia ou constipação que não melhora;
  • alteração no formato das fezes;
  • dor ou desconforto abdominal persistente;
  • sensação de que o intestino não esvaziou completamente;
  • anemia sem uma causa claramente identificada;
  • cansaço ou fraqueza persistente;
  • perda de peso não intencional.

Esses sintomas também podem ser provocados por doenças benignas. Ainda assim, quando são persistentes, novos ou recorrentes, não devem ser ignorados.

Ter sangue nas fezes significa que a pessoa está com câncer?

Não necessariamente. Hemorroidas, fissuras anais, inflamações e outras condições benignas também podem provocar sangramento.

Entretanto, atribuir todo sangramento a uma hemorroida sem investigação pode atrasar o diagnóstico de uma doença mais séria. A origem do sangue deve ser avaliada considerando fatores como a idade do paciente, o histórico familiar, a frequência do sintoma e a presença de outras alterações.

A recomendação não é entrar em pânico, mas também não normalizar um sinal que precisa ser investigado.

Qual é o papel da colonoscopia?

A colonoscopia permite examinar internamente o cólon e o reto. Durante o procedimento, o médico pode identificar alterações na parede intestinal, realizar biópsias e remover determinados pólipos.

Ela pode ser indicada para investigar sintomas, acompanhar pessoas que já tiveram pólipos ou tumores e realizar o rastreamento de pacientes que apresentam indicação para o exame.

Apesar de ser um procedimento muito associado ao câncer, encontrar um pólipo durante a colonoscopia não significa que a pessoa tenha um tumor maligno. Muitos pólipos são benignos e são retirados justamente para reduzir riscos futuros.

Quando o rastreamento deve começar?

A idade de início do rastreamento pode variar de acordo com a recomendação adotada e, principalmente, com o risco individual de cada pessoa.

No Brasil, estratégias populacionais do Sistema Único de Saúde consideram o rastreamento de pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos. Algumas recomendações internacionais sugerem que pessoas com risco habitual iniciem a discussão sobre rastreamento aos 45 anos.

Não existe, portanto, uma indicação única que possa ser aplicada da mesma maneira a todas as pessoas. A decisão deve ser individualizada em consulta médica.

O rastreamento pode precisar começar mais cedo quando existem fatores como:

  • casos de câncer colorretal na família;
  • parentes diagnosticados em idade jovem;
  • histórico pessoal de pólipos intestinais;
  • doenças inflamatórias intestinais;
  • síndromes hereditárias associadas ao câncer;
  • histórico pessoal de câncer colorretal;
  • sintomas que precisam ser investigados.

É importante diferenciar rastreamento de investigação. O rastreamento é realizado em pessoas sem sintomas. Quando há sangramento, anemia, alteração intestinal ou outro sinal persistente, não se trata apenas de um exame preventivo, mas da investigação de uma possível doença.

O histórico familiar deve ser conhecido

Muitas pessoas sabem que algum familiar teve “câncer no intestino”, mas não conhecem a localização exata do tumor nem a idade em que o diagnóstico aconteceu.

Essas informações podem modificar significativamente a recomendação médica. Quando possível, é importante descobrir:

  • qual familiar teve a doença;
  • qual era o tipo e a localização do câncer;
  • com que idade o diagnóstico foi realizado;
  • se outras pessoas da família tiveram tumores relacionados;
  • se existe diagnóstico conhecido de alguma síndrome hereditária.

Ter um familiar com câncer colorretal não significa que a pessoa obrigatoriamente desenvolverá a doença. Significa, porém, que o risco precisa ser avaliado com mais atenção.

O diagnóstico precoce faz diferença no tratamento

O câncer colorretal não é uma doença única e seu prognóstico depende de diferentes fatores. Porém, de forma geral, tumores identificados em estágios iniciais costumam apresentar maiores possibilidades de tratamento com intenção curativa.

Quando a doença é diagnosticada em uma fase localizada, a cirurgia pode exercer um papel central no tratamento. Em outros casos, pode ser necessário combinar diferentes modalidades terapêuticas.

Mesmo em situações mais avançadas, o desenvolvimento da cirurgia oncológica, da quimioterapia, da radioterapia e das terapias orientadas pelas características do tumor ampliou as possibilidades de controle da doença para muitos pacientes.

Cada caso precisa ser analisado individualmente e, sempre que possível, discutido por uma equipe multidisciplinar.

Falar sobre câncer não significa retirar a esperança

Durante sua trajetória, Preta Gil falou publicamente sobre exames, procedimentos, cirurgias, internações, alterações no corpo, momentos difíceis e redes de apoio.

Essa transparência ajudou a levar o câncer colorretal para conversas familiares, programas de televisão, redes sociais e consultórios médicos.

Falar sobre câncer com responsabilidade não significa transformar a doença em uma sentença ou reduzir a experiência de uma pessoa ao seu diagnóstico.

Significa reconhecer que informação de qualidade pode incentivar decisões importantes:

  • não ignorar sintomas persistentes;
  • conhecer o histórico de saúde da família;
  • procurar avaliação médica no momento adequado;
  • realizar exames quando houver indicação;
  • participar ativamente das decisões sobre o tratamento.

O legado de Preta Gil também está na conscientização

Um ano após sua partida, a história de Preta Gil continua despertando conversas importantes.

A reportagem exibida pelo Fantástico mostra que sua experiência foi registrada não apenas como memória pessoal e artística, mas também como um relato humano sobre o enfrentamento do câncer.

Preta não deve ser lembrada somente pela doença. Sua história foi muito maior do que o diagnóstico. Mas a forma aberta como decidiu falar sobre o tratamento contribuiu para diminuir o silêncio em torno do câncer colorretal.

Seu legado permanece na música, na cultura, na família, nas amizades e também nas pessoas que, após conhecerem sua trajetória, decidiram prestar mais atenção à própria saúde.

Uma mensagem para quem está adiando seus exames

O medo do resultado faz com que muitas pessoas evitem consultas e exames. No entanto, adiar uma investigação não modifica aquilo que está acontecendo no organismo. Apenas reduz a possibilidade de compreender o problema mais cedo.

Realizar um exame não significa que o médico acredita que você tenha câncer. Significa utilizar os recursos disponíveis para prevenir uma doença ou encontrar uma alteração em um momento no qual ela possa ser tratada de maneira mais favorável.

Se você apresenta sintomas persistentes, possui histórico familiar ou está na faixa etária em que o rastreamento deve ser discutido, procure orientação médica.

Informação não elimina todas as dificuldades do câncer, mas pode transformar medo em cuidado, dúvida em investigação e silêncio em prevenção.


Este conteúdo possui finalidade educativa e não substitui uma consulta médica. As recomendações de rastreamento, investigação e tratamento devem ser individualizadas por um profissional de saúde.

Referências

Agende sua Consulta

Fale diretamente com nossa equipe de agendamento via WhatsApp e encontre o melhor horário para você.