Cirurgia robótica para câncer de reto: o que os dados mostram sobre a nova técnica que está mudando os resultados

Cirurgia robótica para câncer de reto: o que os dados mostram sobre a nova técnica que está mudando os resultados

A cirurgia robótica para o câncer de reto deixou de ser novidade. Ela já está presente nos principais centros oncológicos do Brasil e do mundo, com evidências crescentes sobre suas vantagens em relação à cirurgia laparoscópica convencional.

 

Mas a inovação não parou no robô. Um estudo publicado em 2026 na Annals of Surgical Oncology apresenta dados de uma técnica desenvolvida pelo Dr. Tiago Bezerra e sua equipe: a anastomose intracorpórea robótica com grampeamento único, conhecida pela sigla RISS.

O problema com a técnica convencional

A etapa de reconstrução, na técnica convencional de duplo grampeamento (DS), envolve o uso de um grampeador linear para cortar o reto dentro da pelve. O problema: o instrumento é aplicado sem visão direta da área, muitas vezes em ângulo oblíquo, e em pelves estreitas frequentemente são necessários dois, três ou mais disparos para completar o corte.

Cada disparo adicional do grampeador aumenta o risco de fístula. A taxa de fístula com a técnica convencional em tumores do reto inferior chega a 17 a 20% em séries da literatura internacional.

O que é a técnica RISS e como ela funciona

A RISS foi desenvolvida pelo Dr. Tiago Bezerra e sua equipe como uma alternativa tecnicamente mais controlada. O processo começa antes mesmo da cirurgia principal: uma sutura é colocada por via transanal para isolar o coto retal distal. Durante a cirurgia robótica, o reto é seccionado com instrumentos de precisão sob visualização direta em alta definição. A anastomose é então construída com um único grampeador circular, garantindo uma união completa e uniforme de 360 graus.

Os dados publicados

O estudo analisou 167 pacientes — 71 com a técnica RISS e 96 com a técnica convencional. Os resultados em 90 dias foram:

 

  • Taxa de fístula anastomótica: 5,6% (RISS) vs. 16,7% (DS)
  • Necessidade de reoperação: 1,4% (RISS) vs. 10,4% (DS)
  • Complicações gerais: 33,3% (RISS) vs. 52,5% (DS)
  • Tempo de internação: significativamente menor no grupo RISS

Uma técnica desenvolvida no Brasil, para o mundo

Seis cirurgiões participaram do estudo, sem diferença significativa de resultados entre eles — o que demonstra que a técnica é reproduzível. Os resultados foram publicados nos Annals of Surgical Oncology, periódico oficial da Society of Surgical Oncology.


Para pacientes com câncer de reto que precisam de cirurgia, a técnica utilizada na reconstrução importa. Agende uma avaliação com o Dr. Tiago Bezerra no Centro de Oncologia Superia — R. Apeninos, 429, Aclimação, São Paulo.